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20 dezembro 2007

Ler para comer
Em tempos de dieta, o prazer de comer não é lá tão prazeroso assim. Para continuar firme nessa empreitada gentilmente chamada de reeducação alimentar, entonces... para os feriados do final do ano (já chegou?) garanti a gostosíssima leitura de A rainha que virou pizza, de J.A. Dias Lopes. Eu queria esperar para ler a partir de sábado, dia 22, mas não consegui. Melhor atacar o livro do que o pacotinho de bolacha recheada, né? Trata-se de uma série de crônicas sobre personagens famosos e suas preferências à mesa, revelando costumes de época e receitas clássicas da culinária universal. Cleópatra, Leonardo da Vinci, Maria Antonieta, Goya, Napoleão Bonaparte, Sarah Bernhardt, princesa Isabel, Carlos Gardel, Charles Chaplin, Elvis Presley, Mazzaropi... uia!!!


Veja só: Catarina II deliciava-se com a sopa de arroz e massa finalizada com uma porção de sangue fresco de vi­tela. O Dias Lopes é diretor da revista Gula e quem me indicou o livro foi o meu amigo Glads, que é o fotógrafo de lá. Tem receitinhas também. Sabia que Cleó­patra não dispensava figo, doces de amêndoas e mel e cerve­ja? Mas aahhh!!

15 agosto 2007

Mister Lévy disse que...
"Muita gente no Brasil está trabalhando com a nova linguagem IEML (Information Economy Meta Language). Segundo ele, existem pesquisadores na PUC de São Paulo e do Rio Grande do Sul que estão participando desse projeto ambicioso, que vai criar uma linguagem que 'pode ser manipulada pelos computadores', mas vai demorar uns 10 anos para ser corrente".

Na terça-feira (14/08) teve mais uma palestra da série Fronteiras do Pensamento, projeto patrocinado pela Copesul e que está acontecendo em Porto Alegre há vários meses. É por isso que tem alguns posts por aqui sobre o mesmo evento...
O cara de ontem foi o Pierre Lévy, um dos principais teóricos da revolução digital, filósofo da informação e professor de comunicação na Universidade de Ottawa - Canadá. Ele disse que atualmente apenas utilizamos o ciberespaço para coisas que já fazíamos antes, como ouvir rádio ou ver TV. "Serão necessárias várias gerações para que se comece a explorar de forma original a internet", repetiu mais de uma vez. Sobre o Brasil figurar como país recordita de usuários de MSN e Orkut, Lévy disse que isso tem a ver com características culturais e pouco a ver com acesso no sentido de inclusão digital. "A internet é um bom meio de criar, promover e manter relações e redes de contato. Não é surpresa o sucesso dos sites de relacionamento", comentou.
Embora esse tenha sido o último momento da palestra e ele tenha apenas falado superficialmente, foi super interessante ouvir dele próprio a explicação sobre espaço semântico. Enquanto o surgimento da web (www) significou a interconexão de páginas, em breve, em 2015, veremos o surgimento de um espaço semântico, com a interconexão de conceitos. Aí, vamos corrigir um defeito da rede hoje: "os dados hoje existem e estão disponíveis, mas estão separados". O futuro, disse ele, diz respeito ao aperfeiçoamento da inteligência artificial no sentido de criar e aprimorar a inteligência coletiva.

04 julho 2007

Mister Ash disse que...
Tony Blair vai se perguntar até o fim de seus dias porque diabos foi em frente na aliança com Bush para invadir o Iraque. Ash não sabe a resposta e muito menos o povo britânico. Ash foi o conferêncista de mais um encontro Fronteiras do Pensamento, em Porto Alegre, promoção da Copesul. Junto com ele, Fernando Gabeira. Gabeira deu uma pequena aula de lucidez: a corrupção nunca será extinta, sempre existirá. O que pode-se fazer é torná-la mais vergonhosa, difícil e passível de punição. "Só o fato de parlamentares poderem ser julgados por Justiça especial soa como aval para a corrupção. No momento que a Justiça comum puder julgar crimes de parlamentares, as coisas melhoram um pouco. Pois não é verdade que muito ladrão e bandido se elege para poder fugir da Justiça?", resumiu o deputado. Ash não disfarçou seu encantamento. Disse que estava muito bem acompanhado na conferência. Ele é colunista do The Guardian em Londres. Historiador, professor em Oxford, apresentou claramente seu conceito de mundo livre. Para ele, o mundo livre precisa se auto-reconceituar pois nada tem a ver com esse mundo livre imposto por Estados Unidos e aliados. Impor democracia não é liberdade. Ash também falou, conforme seu último livro (Free World) que acredita numa aliança mais forte entre Europa e Estados Unidos, pois afinal os EUA precisam disso e que o futuro do ocidente está em: entender e aceitar e analisar e tolerar e compreender e ensinar e educar e renovar suas formas de convivência com o mundo islâmico.
Ambos os palestrantes citaram Huntington e o seu ótimo "O Choque de Civilizações" e eu fiquei ali na platéia toda metida a besta hehehe.. eu li, eu li.. eu li...

13 junho 2007

Mister Elster disse que...
“O populismo não chegou para ficar”. A emergência de governos populistas na Bolívia e na Venezuela está longe de refletir uma tendência. Na verdade, uma guinada à esquerda na política da América Latina só seria sustentável por meio de ditaduras. O filósofo norueguês Jon Elster, considerado um dos grandes pensadores do chamado “marxismo analítico” esteve em Porto Alegre como mais um palestrante do ótimo programa Fronteiras do Pensamento, realizado pela Copesul. “As políticas populistas, em sua maioria, são equivocadas, ineficientes e não-produtivas. Eu não acredito que a eleição de governos populistas seja uma tendência. Quando as pessoas enxergarem que eles não cumprem suas promessas ou que suas políticas são muito caras, vão perder as ilusões”, acredita ele. “O populismo é baseado na criação de uma relação próxima entre o governador e as massas. Existe a tentação de ignorar o parlamento, os partidos políticos. Daí até a ditadura é um pequeno passo", completou.

Como não poderia deixar de ser.... um exemplo é Hugo Chávez. Elster comentou que o presidente da Venezuela viola um dos princípios básicos da democracia – o da independência dos três poderes. Para o cenário político brasileiro com Lula na presidência, Elster disse que não se surpreende que Lula adotasse uma linha conservadora na área econômica. “Esta é uma velha história. Quando os esquerdistas chegam ao poder, eles descobrem que há limites financeiros. Se Lula traiu suas raízes marxistas ou se apenas descobriu a realidade é um assunto a ser debatido". Quanto à possibilidade de haver uma reforma política no Brasil, ele apóia a idéia de que o financiamento de campanhas eleitorais seja público e tenha uma soma limitada. “Na Noruega, todos os partidos sustentam a campanha com as taxas pagas por seus próprios integrantes, além de receber subsídios públicos, seguindo um critério de votos obtidos e cadeiras ocupadas no parlamento”.

Tem mais programação pela frente: fronteirasdopensamento.com.br.
Tudo muito bom... VAI LÁ!

25 abril 2007


Mister Phelps disse que...
Fronteiras do Pensamento. Série de debates-palestras com um monte de gente legal, polêmica, interessante, desinteressante também tem. É uma ação da Copesul. Na terça-feira, 24, era o prêmio Nobel de economia 2006, Edmund Phelps. Título da palestra: Capitalismo Dinâmico – o que é e como chegar lá. O que ele disse? Que o Bolsa-Família pode ser um programa atraente para as famílias brasileiras – especialmente aquelas com maior número de integrantes. Entretanto, o Brasil deveria investir esses recursos em outro tipo de subsídio. “O que eu defendo é que se busque complementar a renda de empregados com salários muito baixos. Esse subsídio não estaria relacionado ao tamanho da família, nem à idade e tampouco ao sexo do beneficiário. Seria uma maneira de tornar o trabalho mais atraente”.

Mister Phelps... (charmosamente mencionado pelo mestre de cerimônias, querido amigo Flávio Ilha) diz ter passado a década de 90 numa “cruzada pela inclusão das sociedades na economia e que essa inclusão não pressupõe uma rejeição ao modelo capitalista de desenvolvimento". Muito ao contrário. “A inclusão de que eu falo é feita por meio do aumento da renda, do emprego e do suporte aos trabalhadores. O capitalismo dinâmico é perfeitamente capaz de equacionar esses fatores”. Embora admitindo que não costuma acompanhar a conjuntura brasileira, ele ensaiou algumas considerações sobre o futuro econômico do país. Disse que, visivelmente, o Brasil está entrando em um período de grandes investimentos. “Temos que reconhecer que há muitas instituições econômicas – e a própria cultura econômica de vocês – que não são favoráveis à inovação. Isso é um problema que exige uma reforma institucional”. O Brasil ainda é penalizado por fatores como a Legislação Trabalhista, que torna a criação de empregos muito onerosa. “Tenho a impressão de que as leis trabalhistas, no Brasil, foram inspiradas na Itália da década de 30 e ainda não foram reescritas”, criticou.
Bem legal, mas sem novidade, né?